segunda-feira, 15 de março de 2010

Mundo comunista: expansionismo soviético na Europa/Doutrina Jdanov

O Plano Marshall constituíra o argumento perfeito para que Estaline adoptasse igual atitude no bloco que lhe correspondia. A caricatura ao lado, por um autor socialista, no mínimo retrata a oposição demagógica à Doutrina Truman.
A confirmação da Guerra Fria pela intensificação da influência soviética no Leste Europeu pode ser vista como a grande consequência da intervenção norte-americana nas economias ocidentais.Observem o esquema que se segue.
Esta influência foi feita a nível político, económico e militar. Em primeiro lugar, constata-se a questão política pela criação do COMINFORM ou Comunist Information Burêau, em 1947. Era uma organização internacional dos partidos comunistas do bloco soviético. Serião, então, coordenados pelo partido comunista (Partido Bolchevique) da URSS. Esta substituiu o Komintern. Quanto à economia, a URSS exercia a sua influência pelo COMECON ou Council for Mutual Economic, que fora criado no ano de 1949. Era um conselho de assistência econóimica mútua, que exercia a coordenação dos planos económicos dos países comunistas e a ajuda financeira da URSS ao resto do bloco soviético. Este bloco económico-soviético constituiu uma reacção à OECE, derivante do Plano Marshall. Refere-se ainda o Pacto de Varsóvia, pelo qual a URSS exercia a influência militar. Foi assinado em 1955, enquanto bloco militar alternativo comunista, como resposta à OTAN. A sua força militar era o Exército Vermelho.

Prosperidade económica do bloco capitalista: "Trinta Gloriosos"

Os Trinta Gloriosos reportam-se à altura de crescimento excepcionalmente acelerado da economia, cuja origem fora nos EUA. Esta expressão foi encontrada por Jean Fourastié. Acabou por se estender rapidamente à totalidade do bloco capitalista, ao longo do tempo em que eram consolidadas as políticas de apoio à reconstrução dos países destruídos pela guerra, como por exemplo o Plano Marshall.

  • Factores deste crescimento:
Registou-se um aumento da concentração industrial e do número de multinacionais. As multinacionais fabricavam e comercializavam os seus produtos no bloco capitalista. Estavam presentes em quase todos os sectores económicos. Investiam imenso na investigação científica, tendo contribuído para os progressos tecnológicos. Foram responsáveis pela maior globalização económica, na segunda metade do século XX.
Consequentemente, houve uma aceleração do progresso tecnológico, que chegou a todos os sectores. Sendo velozmente produzidas em série, as inovações alteraram os processos produtivos e acabaram mesmo por introduzir modificações no quotidiano das populações.
Assim, deram-se extraordinários processos na agricultura. Surpreendentemente, os países que anteriormente importavam, tornaram-se exportadores. A renovação deste sector deveu-se graças aos investimentos substanciais e à nova tecnologia - que se deveu, por sua vez, ao investimento das multinacionais, que resultou na aceleração do progresso tecnológico -, que resultou no êxodo rural. Este fenómeno é conhecido como o Fim dos Camponeses, tendo contribuído para a transformação na relação entre os sectores primário, secundário e terciário.
Logo, o sector terciário mostrou um crescimento significativo. O surto gigantesco nas trocas comerciais, a aposta no sector educativo - para aumentar a qualificação da mão-de-obra -, as reformas sociais e a complexidade gradual da administração das empresas fizeram, em conjunto, diminuir de forma extraordinária o desemprego.
Foi de extrema relevância o extraordinário recurso ao petróleo. A soberania da extracção petrolífera pertenceu, até ao início da II Grande Guerra, aos EUA; porém, a região do Médio Oriente tornou-se, na altura referida, no fornecedor maioritário. Constata-se que a abundância, assim como o baixo preço fomentaram a prosperidade económica, ao ter favorecido a revolução nos transportes e uma amplitude superior de produtos industriais.
Por último, aponta-se o aumento exponencial da população activa. Este ocorreu graças à conjugação entre o aumento na mão-de-obra feminina, ao baby-boom - este fenómeno deu-se entre 1940 e 1960, sensivelmente (encontrei uma imagem. Julgo que é uma montagem, mas acaba por simbolizar o fenómeno aqui em questão) - e à imigração de trabalhadores oriundos de menos desenvolvidos. A mão-de-obra nacional possuía qualificações graças ao prolongamento da escolaridade obrigatória, que confirma a crescente aposta no sector educativo, anteriormente mencionada. Somente os imigrantes tinham qualificações menores, levando as suas remunerações a serem igualmente inferiores.
Aconselho a visualização, no final desta postagem, do esquema que fiz.


  • Manifestações do grande crescimento económico:
Graças aos factores que foram previamente mencionados, pôde-se observar um aumento inédito da produção mundial de bens e serviços. O Produto Nacional Bruto* dos países do bloco capitalista mais que triplicou. Para além disso, a produtividade agrícola quadruplicou, devido aos enormes progressos técnicos. Tendo em conta o aumento do recurso ao petróleo, que era a matéria-prima por excelência, tendo substiuído o carvão, houve um incremento na produção de energia e industrial, que viu as suas produções a serem multiplicadas por dez. Assim sendo, com esse incremento, revolucionou-se o desenvolvimento dos transportes quer terrestre quer aéreo. Quanto a este ponto, desenvolveu-se a aviação comercial, a austronáutica, a indústria electrónica/telecomunicações e modernização dos sectores tradicionais, nomeadamente a siderurgia, a metalomecânica, a petroquímica, a construção naval, a construção civil e transportes. A unicidade destes resultados levou a uma positivíssima resolução no défice, numa conjuntura de pós-guerra e de forte debilitação das economias anteriormente beligerantes.

*Produto Nacional Bruto ou PNB: mede a riqueza gerada por factores de produção de propriedade dos residentes

Prosperidade económica do bloco capitalista: sociedade de consumo

A sociedade de consumo é a sociedade de plena abundância, que caracteriza a segunda metade do século passado. Pode ser identificada ao considerar o consumo massificado de bens fúteis, que passam a ser vistos como fulcrais à qualidade de vida elementar. É igualmente a sociedade de desperdício, tendo em conta que a vida útil dos bens é substancialmente reduzida pela vontade da sua renovação. É uma sociedade característica de alturas de prosperidade económica.
Aconselho a visualização do esquema abaixo, feito por mim. O aumento de consumo é seguido pelo aumento da produção, por sua vez derivando no pleno emprego com salários elevados. Logo, se as pessoas têm salários elevados, regista-se um aumento no seu poder de compra. Assim sendo, há uma procura efectiva, que resulta em novos estíumulos à produção. Este ciclo fica completo pois os novos estímulos à produção antecedem o incremento no consumo.
Os lares domésticos, particularmente urbanos, estão repletos de muitos electrodomésticos, de peças de mobiliário, de produtos decorativos, de utilidades domésticas que, no seu todo, propiciam um enorme conforto.
Durante a segunda metade do séc. XX - altura correspondente à sociedade de consumo -, constatou-se uma enorme frequência a restaurantes, estâncias de férias, casas de fins-de-semana. Eram a altura da procura contínua de tempos e de espaços de lazer.
Existiam duas grandes entidades que estimulavam o consumo, sendo elas a grande multiplicidade de enormes centros comerciais e de vendedores ambulantes. Por outro lado, os estimuladores do consumo tinham como recursos a enorme publicidade, excelentemente orquestrada, que tinha em vista criar necessidades e o aumento do recurso ao crédito. Quanto ao crédito, posso estabelecer uma semelhança com os Loucos Anos 20, ao ter em atenção que também era extraordinário esse recurso.
Todavia, este enorme crescimento destacou as desigualdades sociais. Para além disso, com um crescimento exacerbado da economia, podia anteceder-se uma crise.


Correcção da entrada anterior....

Queria corrigir, nesta entrada, uns equívocos na entrada anterior, acerca do IVA e do IRS. Como o professor pediu, averiguei e deparei-me com as seguintes definições:


IVA: imposto indirecto sobre a comercialização de bens e serviços, abrangendo todas as fases do circuito económico, desde a produção ao retalho



IRS: Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares. É pago anualmente, sendo dados alguns benefícios a determinados indivíduos, como por exemplo pessoas com deficiência(s) física(s). Existem várias categorias para ser feita a tributação de rendimentos indirecta.

sexta-feira, 12 de março de 2010

A afirmação do Estado-Providência no bloco capitalista

Uma curiosidade...

Para entender melhor o Estado-Providência, decidi investigar um pouco. Aparentemente, foi Otto Bismarck, princípe da Prússia, quem inaugurou o Welfare State em 1883, com a promulgação dos seguros sociais obrigatórios. Iam ser precisos quase setenta anos para que se estendesse a uma maior parte do globo, quanto aos países integrantes do bloco capitalista.






A influência de William Beveridge

Aconselho a relerem a entrada que fiz acerca do New Deal, Welfare State e de Keynes. Terão constatado que a influência de John Keynes, um importantíssimo economista britânico que alterou concepções importantes na área da economia e na intervenção estatal.
Todavia, não é apenas inegável o papel de Keynes, mas também de Beveridge. William Beveridge era crente de que deveria existir uma intervenção estatal séria nas questões sociais. Um sistema social alargado teria como função eliminar os cinco grandes males sociais, que eram a carência, a doença, a miséria, a ignorância e a ociosidade, caso funcionasse correctamente.
Evidencia-se nesta questão um aproveitamento do Plano Marshall. Numa conjuntura de pós-guerra, em que as economias mundiais estavam seriamente debilitadas pelas dívidas que tinham contraído durante a guerra - para assegurarem o armamento -, pelas grandes baixas civis e perdas materiais, a instituição do Welfare State seria impossível. Posso afirmar isto, dado que seria necessário criar um sistema semelhante à Segurança Social Portuguesa, que propiciasse subsídios e reformas. Claro que numa perspectiva a médio e a longo prazo, não são nem deverão ser precisas ajudas financeiras estrangeiras para cobrir estas garantias e, ainda assim, ter uma economia que, no seu sentido literal, não declare falência à entrada. Mesmo assim, era impensável que a curto prazo isso ocorresse. É a vez do dinheiro dos contribuintes entrar. Se não estou em erro, é essa a função de impostos como o IVA. Daí que todos os anos o contribuinte tenha de juntar todas as facturas (verdadeiras.....) para que, caso a SS considere adequado, ser reembolsado. Ora, sem o dinheiro dos impostos, o Estado Providência seria incapaz de funcionar. Consequentemente, há um desenvolvimento das concepções keynesianas. Os países da Europa democrática assumem a intervenção para a resolução das dificuldades económicas.
Segundo John Keynes e William Beveridge, o Estado era o elemento que equilibrava e organizava a economia, promovendo a justiça social. Constituía-se como uma grande empresa empregadora. Para além disso, favorecia os investimentos tanto público, como privado. Desta forma, promove e financia grandes obras públicas, aumenta os quadros da administração pública e do aparelho militar e também paramilitar e assume participações no sector privado, pela aplicação de uma parte do Orçamento de Estado.
Refere-se que a intervenção do Estado era mais elevada na regulação do mercado. Orientava então a política económico-financeira, através da legislação para submeter as actividades económicas aos seus objectivos. Logo, constata-se que a autoridade pública intervinha na nacionalização de sectores fulcrais e preferencialmente rentáveis, no controlo da produção industrial privada, no estabelecimento de horários laborais, na fixação de níveis salariais. Quanto ao sector financeiro, supervisionava as taxas de juro, as políticas cambiais, definia regras para os mercados financeiros e políticas fiscais. Neste conjunto final de medidas, o Estado estava ciente de que era imperativo evitar as flutuações financeiras que tinham resultado na Grande Depressão, no final dos anos 20.
Para além disso - aconselho a leitura da entrada referente à social-democracia e à demcoracia-cristã - os Estados deviam implementar sistemas de redistribuição mais equitativa da riqueza nacional. Com esta distribuição evitar-se-iam as crises internas, derivadas da ausência de qualidade de vida. Entende-se então por que é que o Presidente norte-americano Truman entendia que caso houvesse uma recuperação económica rápida estaria dificultada a expansão comunista para ocidente. Para conseguirem a redistribuição mais equitativa da riqueza nacional, os países com o sistema de Estado Providência adoptavam sistemas de tributação progressivos dos rendimentos. Estes absorviam uma parcela dos salários mais elevados, por sua vez correspondentes às classes mais altas, que eram canalizados para assegurar as necessidades básicas. Era um complexo sistema social. Ao lado, está um cartaz ilucidativo do contexto em que surge e da adesão que teve das classes baixas.


Alianças militares no bloco capitalista

Os EUA, numa conjuntura de Guerra Fria, pretendiam, a todo o custo, o isolamento da Rússia Soviética e a consolidação da influência norte-americana a uma escaqla mundial. Tal provocou uma extensão da influência capitalista a alianças multilaterais, globalmente.
A assinatura dessas alianças era celebrada com acordos bilaterais, tendo em conta que eram utilizados para estabelecer bases militares, que funcionavam como autênticas sentinelas de alerta contra o comunismo. O seu propósito era a intervenção imediata em potenciais conflitos que eventualmente questionassem a hegemonia capitalista, cujo paradigma eram os EUA.

  • 1947:
Assinou-se o Pacto do Rio ou TIAR entre todas as nações do continente americano. Pretendia a defesa colectiva e, para tal, as nçaões constituintes formaram uma frente comum na eventualidade de agressão de uma potência externa.
  • 1948:
A assinatura da Organização dos Estados Americanos ou OEA ocorreu na Conferência de Bogotá. Era a substituição do TIAR, com os mesmos objectivos, ou seja, ajuda mútua entre a totalidade das nações sul-americanas. Ao lado, o símbolo desta organização.
  • 1949:
O Pacto do Atlântico Norte deu origem à formação da OTAN - em inglês - ou à NATO - em português -, cujo país fundador foi Portugal. Sucintamente, era composto pelos EUA, democracias ocidentais, pela Grécia, por Portugal, pela Turquia e pela Itália.
  • 1951:
A influência norte-americana ou capitalista foi consolidada na Oceânia pela celebração do Pacto do Pacífico com a Austrália e Nova Zelândia, que resultou na ANZUS. Acabaria por ser alargada ao Paquistão, às Filipinas, à Tailândia, à França e, ainda, à Grã-Bretanha, em 1954 - data da formação da OTASE, isto é, Organização do Tratado da Ásia do Sudeste.
  • 1955:
Neste ano, foi oficializada a aliança militar final no bloco capitalista. O Pacto de Bagdad, abrangente da Inglaterra, da Turquia, do Paquistão, do Irão e do Iraque, tinha levado à CENTO ou Organização do Tratado Central.



domingo, 7 de março de 2010

Mundo capitalista

Mundo capitalista: a política de alianças lideradas pelos EUA - Plano Marshall e alianças económicas

Em 1947, a Europa estava totalmente destruída, sequela extremamente visível da II Guerra, tendo enormes baixas humanas e perdas materiais. As ajudas dos EUA, dentro do plano de emergência - prestadas desde 1945 até 1947 . apenas tinham acudido às necessidades de maior significância. Para mais, as situações de miséria gerais foram agravadas com o rigorosíssimo Inverno de '46-'47. Ao lado, dois sobreviventes, nas zonas periféricas, de Hiroshima.
Os EUA eram crentes de que no caso de se registar uma recuperação económica, visível a curto prazo, a expansão comunista para ocidente estaria dificultada. Consequentemente, a presença norte-americana/capitalista seria reforçada na Europa.
Dentro do âmbito da Doutrina Truman, a administração Truman propõe um vasto programa de ajuda técnico-económica ao continente europeu. A sua finalidade era relançar, o mais rapidamente, as suas economias, existindo, então, condições para a estabilidade política. Era o Plano Marshall ou Plano de Reconstrução Europeia - este plano foi proposto pelo senhor ao lado, o secretário de Estado norte-americano, George Marshall.
Este plano não só foi proposto à Europa Ocidental, pertencente ao bloco capitalista, mas também aos países do bloco socialista. Tendo em conta que os soviéticos acreditavam ser uma manobra dos norte-americanos imporem a sua hegemonia na Europa, esses países comunistas tiveram de o recusar.
O Plano Marshall foi oferecido desde que os Estados beneficitários aceitassem o controlo e a fiscalização das suas economias, pelas autoridades norte-americanas. Teriam ainda de criar um organismo de coordenação de ajuda financeira prestada e das relações económicas.

Consequências:
  • O primeiro pós-guerra repetia-se, quanto à dependência da Europa face aos EUA.
  • Beneficiamento dos interesses geoestratégicos contemplados e nas áreas coloniais.
  • A criação da Organização Europeia de Cooperação Económica, em 1948, enquanto organismo de coordenação de ajuda financeira prestada e das relações económicas.
Mundo capitalista: a "questão alemã" e a corrida à formação de alianças militares

Constata-se que a Guerra Fria esteve na iminência de causar a primeira situação de um conflito militar, em 1948 e 1949.
As estratégias de reconstrução alemã fizeram com que houvesse uma unificação administrativa e monetária das zonas ocupadas pelas democracias ocidentais e também originaram a atribuição das ajudas financeiras. Por sua vez, a reconstrução alemã, no bloco capitalista, tinha em vista a edificação de uma Alemanha ocidental rica, que se pudesse reafirmar de forma honrosa entre as nações livres e pacíficas. Assim, haveria uma oposição com a Alemanha de Leste.
Face a estas estratégias norte-americanas, Estaline afirma um afrontamento, acusando os antigos Aliados de quererem criar um bastião do capitalismo à entrada do bloco comunista. Consequentemente, decreta o bloqueio à zona ocidental de Berlim.
Desta forma, o bloco capitalista, impossibilitado de estabelecer contacto terrestre com as três partes da cidade de Berlim por siu tuteladas, cria uma ponte aérea. Por mais de onze meses, fez chegar todo o tipo de produtos. Os EUA mostravam à Rússia Soviética a firmeza e o enorme poder tecnológico, que possuíam.
No momento em que Estaline ameaça abater os aviões, o mundo ocidental receava a sua concretização. Todavia, o bloqueio acabou por ser levantado sem quaisquer incidentes bélicos.

Consequências do bloqueio:
  • Divisão da Alemanha em dois Estados, em 1950: a República Federal Alemã, a ocidente no bloco capitalista, e a República Democrática Alemã, no bloco socialista, a leste. Ao lado, o emblemático muro.
  • Clarificação definitiva das posições expansionistas de ambos os blocos e dos respectivos objectivos hegemónicos.
  • Corrida aos armamentos
  • Formação dos primeiros blocos militares antagónicos.





sábado, 6 de março de 2010

A guerra que não foi guerra

A derrota do Eixo, na 2ª Guerra Mundial, evidenciou os grandes antagonismos ideológicos. Tinham sido colocados num segundo plano, com a guerra contra as autocracias nazi-fascistas, tendo sido prontamente patenteados nas diferenças entre as propostas político-económicas, defendidas por americanos e soviéticos, aquando da definição da nova ordem internacional. 
Ao lado, observa-se um esquema das principais diferenças ideológicas e económicas das duas superpotências.
A ruptura da aliança (EUA e URSS) confirmou-se com o aparecimento dos primeiros focos de tensão, gerados nas ambições expansionistas de Estaline e na Europa do Leste e na resposta norte-americana - Truman pretendia conter o expansionismo pelo reforço da sua posição no Ocidente.

Porquê uma guerra fria?

Chama-se Guerra Fria ao conflito que seguiu imediatamente a 2ª Guerra Mundial, considerando que não se observou o uso de armas. Porém, usavam as mais refinadas e agressivas formas de propaganda ideológica, como se irá constatar posteriormente. Para além disso, exibiam o seu imenso potencial militar, gradualmente mais sofisticado, sendo o objectivo dos dois blocos a criação do medo. Desenvolviam também uma intensa acção de espionagem, que incidia nas inovações bélicas e na interferência em países terceiros ou em organizações internacionais. Intervinham ainda no fomentode conflitos localizados, em apoio dos beligerantes.

O início da Guerra Fria
Não se pode afirmar que a Guerra Fria iniciou num ano específico. Ao invés, posso afirmar que começou na segunda metade dos anos 40.
O primeiro momento de tensão entre as democracias ocidentais e a URSS deu-se em 1945, estando relacionado com a realização das eleições, nos países que tinham sido libertados da ocupação nazi, pela acção directa do Exército Vermelho. Em concordância com a Grã-Bretanha e os EUA, Estaline não promovera eleições verdadeiramente livres no leste europeu. Pretendia a imposição de um governo inteiramente da sua confiança, isto é, comunista. Depois de os EUA terem tentado enviar observadores internacionais para controlarem a situação, Estaline afirma intromissão na dignidade polaca. Churchill não mostra quaisquer reservas em afirmar que o inimigo nazi foi substituído pela ameaça soviética.
Logo um ano depois, as denúncias públicas das acções do líder soviético prosseguem. O primeiro-ministro britânico acusa-o de ter criado uma cortina de ferro, de Stettin a Trieste.
Face a estes dois acontecimentos, o presidente norte-americano publica a Doutrina Truman, em Março de 1947. Com esta doutrina, a administração Truman afirmava a necessidade de adoptar uma política de contenção do avanço comunista. Apelava, consequentemente, ao ocidente para lutar contra, o que considerava ser, o totalitarismo estalinista. Prometia auxiliar todos os povos cuja liberdade fosse ameaçada por forças externas.
A URSS tinha de responder. Publica a Doutrina Jdanov, em Setembro do mesmo ano, na qual era advogado o direito de expansão do comunismo até ao centro europeu. Seriam transformados os países próximos em satélites-políticos da Rússia Soviética.



sexta-feira, 5 de março de 2010

União Europeia - desde a sua formação até 2010

No ano lectivo passado, participei na realização de um trabalho em torno da União Europeia. Curiosamente, o tema volta agora a ser tratado em História. Assim, deixo o power point do trabalho.



domingo, 28 de fevereiro de 2010

Afirmação do Estado-Providência: ascensão dos partidos sociais-democratas e democrático-cristãos

A vitória sobre as autocracias nazi-fascista teve repercussões na ascensão ao poder das facções defensoras de políticas reformistas e intervencionistas, em detrimento dos velhos partidos conservadores, que se identificavam com o capitalismo liberal e, a ele associada, com a Grande Depressão. Tais partidos eram suspeitos de terem apoiado as ideologias totalitárias.

Observe-se o esquema por mim feito acerca da social-democracia e da democracia-cristã (clique no esquema para o ver de forma ampliada)


Ambas as ideologias encontram os requisitos para triunfarem e levarem ao poder os respectivos partidos nas situações problemáticas económicas e sociais consequentes da conjuntura de guerra e na necessidade de evitar o seu agravamento.
A noção de que a democracia tem de ir além do processo de formação do poder pela livre escolha dos governantes, através de sufrágios mais aperfeiçoados, é gradualmente mais aceite.
As populações passam agora a defender que o exercício do poder democrático é realizado pelo dever de os governantes assumirem um papel do tipo intervencionista na vida económica e social. Desta forma, promover e assegurar-se-ia a qualidade de vida das populações e um grau acrescido de justiça social.
Por conseguinte, as duas facções encontram uma enorme adesão na Europa Ocidental, tendo ocorrido pioneiramente comn a vitória do Partido Trabalhista sobre o Partido Conservador de Winston Churchill, nas eleições de 1945.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

As primeiras descolonizações entre 1900-1950

A primeira vaga independista iniciou-se no continente asiático, onde já se tinham dado movimentos anticolonialistas.
Em 1946, os EUA concedem a independência às Filipinas, como modelo para o continente europeu.

  • O caso da Índia
Ghandi inicia um processo de contestação da colonização britânica, considerando que a metrópole não cumprira a promessa da sua retirada, com o pretexto de um explosivo antagonismo entre hindus e muçulmanos.
Optou por apelar à não-violência e à resistência pacífica, ao iniciar este movimento anticolonialista. A resistência foi subsequente da deseobediência à ordem colonial e do boicote firme ao consumo de produtos britânicos, ou seja, a população indiana deixava de os consumir. Prejudicou fortemente a Grã-Bretanha, tendo em conta que, num clima de pós-guerra em que a sua economia estava extremamente lesada, o principal mercado externo era a Índia.
Mahatma Ghandi granjeou, para o processo indiano, a simpatia internacional. À medida que aumentavam as pressões, internacionais e nacionais, a Grã-Bretanha foi forçada a conceder a independência a esta colónia.
Com a descolonização da Índia, surge a União Indiana, habitada sobretudo por hindus, e o Paquistão, com dois territórios separados e cuja população era maioritariamente muçulmana. No mapa ao lado, o leitor observa as reformulações geográficas.


  • O caso da ilha de Ceilão
Esta ilha alcançou a independência em 1948. Mostrou ser uma descolonização pacífica, culminando com a entrega do poder pelo Governo Inglês a uma minoria pró-britânica

  • O caso da Birmânia
Este país terminou a sua descolonização também em 1948, quando um movimento nacionalista (apoiado pela superpotência soviética, dentro da esfera comunista) se recusara a regressar ao domínio da Grã-Bretanha, após ter sido libertada da ocupação japonesa, com a derrota do Eixo em 1945.

  • O caso da Indonésia
Os ocupantes japoneses admitem a independência deste Estado em 1945, antes de abandonarem o arquipélago que, historicamente, pertencia ao domínio colonial holandês.
Porém, quando os Países Baixos não reconhecem o Governo Republicano de Sukarno, originaram um processo de recolonização forçada. O povo indonésio responde com uma posição de não-violência e de deseobediência civil, tendo como paradigma o processo na Índia.
A Holanda foi levada a reconhecer a independência desta colónia no ano de 1949. Contudo, tinha em vista o estabelecimento de uma união política, que assegurasse os seus interesses económicos. Cinco anos mais tarde, essa união foi dissolvida efectivamente, com a independência total da Indonésia.
Na imagem acima, temos uma fotografia do Presidente Sukarno.

  • O caso da Malásia
Ao contrário do que foi aqui especificado acerca dos processos de descolonização da Índia, de Ceilão e da Indonésia, a Malásia alcançou a sua independência de uma forma bastante violenta.
A luta sangrenta entre as minorias nacionalistas, de influência comunista, fez com que a Grã-Bretanha oficializasse o estado de independência, em 1957.

  • O caso da Indochina
Tal como a Malásia, a independência da Indochina foi produto de uma sangrenta e demorada descolonização.
Tendo sofrido a ocupação do Japão, na 2ª Guerra, foram fomentados sentimentos antifranceses. Em 1945, com o desfecho da guerra, a França volta a ser soberana neste território.
Com a população contra a sua soberania, é-lhe feita uma grande oposição, liderada por Ho Chi Minh, que era o líder comunista.
Posso afirmar que a guerra da Indochina tomou um grande cariz ideológico, podendo ser encarada como uma extensão do comunismo na Ásia, numa altura da Guerra Fria (será especificada muito brevemente neste blog).
Considerando que a França fora derrotada em 1953, surgiram três novas nações: o Laos, o Vietname e o Cambodja.
Como o leitor poderá constatar pela imagem ao lado, o Vietname foi divido em dois territtórios. O território norte fora submetido à esfera comunista, enquanto o sul ficara na capitalista.


  • O caso do Médio Oriente
Nesta zona do continente asiático, registaram-se intensas manifestações para terminar a situação de protectorado, vivida desde o final do Império Otamo - consequente das Conferências de Paz de 1919, ver a primeira entrada, se não estou em erro, deste blog.
Surgem o Estado de Israel, o Líbano, a Líbia, a Síria e a Jordânia.


  • O caso do continente africano
A descolonização alastra para o continente africano, distinguindo-se como sendo o mais simbólico o caso da África do Sul.
Em primeiro lugar, a descolonização deu-se na África do Norte e, já nos anos 60, na África Negra.
Ao lado, a manchete do jornal London Gerald, que reporta a libertação de Nelson Mandela.




  • O neocolonialismo da CommonWealth
1947 foi um ano bastante enganador. Mesmo que o colonialismo tenha terminado na Índia, a União Indiana continuou a ser, de alguma forma, controlada pela Grã-Bretanha, sua antinga metrópole, na Commonwealth.
A Commonwealth é, assim sendo, definida como uma associação de Estados, historicamente relacionados com o Império Britânico, que foi regulamentada em 1931. Esta instituição foi uma manobra da Grã-Bretanha para manter os interesses económicos nas então regiões descolonizadas.

  • Conclusão
Vários autores afirmam que o final da época dos imperialismos europeus foi o o fenómeno político mais relevante da segunda metade do séc. XX, ao ter terminado cinco séculos de colonização.
Este fenómeno provocou enormes alterações no mapa geopolítico da Ásia e da África e, intrinsecamente, o redimensionamento nas relações internacionais. Provocou ainda a imposição do princípio da igualdade entre todos os povos.
Convém, nesta conclusão, que explique o motivo para o qual a descolonização da Índia é considerada o paradigma da ausência de violência neste processo. Deve-se ao facto de que, aquando do surgimento dos movimentos anticolonialistas, a Inglaterra não possuía uma situação económica favorável que lhe permitisse a entrada num conflito do tipo de uma guerra de descolonização.


domingo, 21 de fevereiro de 2010

Descolonizações do séc. XX - antecedentes

Uma nova economia - continuação

De modo a viabilizar mais rapidamente os processos de recuperação económica definidos em Bretten Woods, as democracias ocidentais tinham em vista a diminuição dos entraves à circulação mercantil, como as taxas alfandegárias.
Para a concretização desse prpósito, vinte e três países assinaram o GATT - Acordo Geral de Tarifas e Comércio, numa conferência realizada em Genebra, datando de 1947. Os Estados compreteram-se a diminuir as barreiras alfandegárias, podendo edificar um sistema multilateral livre de comércio.
Observa-se que a ideia de um espaço económico alargado surtiu positivamente no continente europeu. Por outro lado, o GATToriginou o BENELUX, que era a união aduaneira entre a Bélgica (Belgium), os Países Baixos (Nederlands) e o Luxemburgo (Luxemburg), que viria a ser o embrião da Comunidade Económica Europeia (a CEE).
O GATT cedeu o seu lugar à OMC - Organização Mundial de Comércio -, em 1994, que trouxe mais desenvolvimentos para a organização internacional de comércio, no quadro do Conselho Económico e Social da ONU.


quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Uma nova economia - Acordos de Bretten Woods

Um grupo de economistas reuniu-se em Bretten Woods, em Julho de 1944. O objectivo dos conferencistas era a definição de um conjunto de regras, que fossem capazes de estabelecer as bases de uma nova ordem económica e internacional, dentro de um quadro de cooperação de estabilidade das moedas e dos câmbios.
Era imperativo evitar os nacionalismos económicos assim como as flutuações financeiras, que tinham caracterizado o primeiro pós-guerra, resultando em graves consequências na história política da Europa Ocidental.
Assim sendo, decidiu-se criar um sistema monetário internacional, o Sistema Bretten Woods, que assentava no dólar norte-americano, como sendo a moeda-padrão.
Os EUA estavam em condições - visto que detinham dois terços das reservas de ouro mundiais - para assegurar tal convertabilidade do dólar em ouro. Assim, fixou-se uma paridade do dólar a um peso de outro, efectuando-se o mesmo com outras moedas.
As moedas eram valorizadas em função da sua convertibilidade em outro e, consequentemente, numa quantia de dólares.
Para operacionalizar o sitema foram criadas duas instituições: o Fundo Monetário Internacional e o Banco Internacional para a Reconstrução e o Desenvolvimento ou Banco Mundial.
Primeiro, o FMI tinha como finalidade assegurar a manutenção das taxas de câmbio e da paridade monetária. Logo, prestava-se ajuda financeira aos países membros, que mostravam ter algumas dificuldades em cumprir os objectivos.
Seguidamente, o BIRD visava orientar e apoiar os projectos de reconstrução das economias que tinham sido destruídas pela guerra, fomentando igualmente o seu desenvolvimento económico. Surge com a fusão da Sociedade Financeira Internacional, no ano de 1956.
Posso concluir que negociar com qualquer moeda era exactamente igual a negociar com dólares e, em última análise, era negociair tendo o outro como intermediário das trocas.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

A Organização das Nações Unidas

Balanço da acção da O.N.U.

A O.N.U. está actualmente activa, tendo quadriplicado o número dos seus Estados-Membros, ou seja, todos os países são membros desta instituição, à excepção do Estado do Vaticano.
Refere-se que foi incapaz de evitar a eclosão e o prolongamento de vários conflitos violentos, a uma escala regional, tendo também assumido posições ambíguas e demagógicas, na salvaguarda dos interesses das grandes potências, nomeadamente os EUA.
Nos fóruns internacionais, a ONU tem algum descrédito, devido às suas acções negativas. Podem-se apontar as seguintes causas para as referidas acções negativas: o grande peso da burocracia e a delicadeza das situações problemáticas, que requerem a sua intervenção e, por outro lado, o facto de a aprovação das resooluções depender do acordo entre os membros, que têm assento permamente no Conselho de Segurança.
Porém,a sua acção tem sido indubitavelmente meritória, graças à procura de plataformas de entendimento entre todos os países pela diplomacia e ao levantamento de situações significativamente problemáticas que afectam as populações mundiais.



Agora, umas pequenas palavras-cruzadas:



1. O fracasso, evidenciado na Segunda Guerra, da Sociedade das Nações, suscitou uma vez mais a necessidade de manter a paz mundial - pela resolução dos conflitos desde o seu aparecimento - através de uma extraordinária diplomacia, da promoção da cooperação entre todos os Estados-Membros e de defender/promover os direitos e as liberdades do Homem. A que instituição pertencem tais propósitos?

2. Onde foi proposto o seu projecto?

3. Qual a principal diferença entre a carta das Nações Unidas e o Pacto da Liga das Nações, redigido por Thomas Wilson?

4. Qual foi o fenómeno a que esta instituição (pergunta 1) deu origem?

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Mais um pós-guerra

Conferências de paz e a definição das áreas de influência

Mesmo que a guerra ainda não tivesse terminado, as forças democráticas ocidentais - representadas por Roosevelt (e, quando faleceu, por Truman) e por Churchill - mostravam as suas preocupações, relativamente à reconstrução mundial, perante os sinais expansionistas evidenciados por Estaline. Desta forma, as sucessivas conferências eram incapazes de esconder a divisão mundial que se avizinhava em áreas de influência bastante opostas.


  • A conferência de Ialta
É considerada a mais importante de todas as cimeiras, graças aos reflexos que as suas decisões tiveram na definição da nova ordem internacional, tendo sido realizada em Fevereiro de 1945.
Os EUA, a Grã-Bretanha e Estaline concluíram que a Alemanha seria dividida em quatro zonas de ocupação, que seriam administrativamente tuteladas pelos Comandos Militares, que por sua vez seriam coordenados pelo Conselho de Controlo, cujos elementos eram os respectivos Comandantes-em-Chefe. Mesmo que a França não tenha participado na Conferência de Ialta, os outros três governos definiram que teria uma parte da Alemanha para tutelar. Para além de ser um gesto simbólico, era também uma maneira de enfraquecer a influência da URSS. Definiu-se igualmente, em Ialta, a divisão da Coreia: o norte, comunista, e o sul, capitalista.
Seguidamente, ficou definido que se iria realizar uma conferência em S.Francisco (EUA), para aprovar a Carta das Nações Unidas, tendo em vista a futura Organização das Nações Unidas.
Constatou-se a grande importância de redifinir as fronteiras dos Estados que tinham sido outrora ocupados pelo III Reich e agora tinham sido libertados (dentro do continente Europeu, tal tinha ocorrido graças, maioritariamente, à acção do Exército Vermelho). Nesses países, definiu-se que o povo teria a hípótese de, em eleições "livres", escolher qual o governo que pretendiam: capitalista ou comunista.
Também ficou definido o valor das indemnizações que seriam pagas aos Aliados, que seriam primeiro pagas à URSS, pelo enorme contributo para inverter o rumo negativo do conflito bélico. Menores partes seriam seguidamente pagas aos EUA e à Grã-Bretanha.
Por último, menciona-se a verificação da superintendência política da Sérvia, representada pelo Marechal Tito, sobre as outras nações da Federação Jugoslava.
Conclui-se que a conferência de Ialta foi uma confirmação das indubitáveis facções ideológicas, considerando a defesa do comunismo e a do capitalismo. Também ficaram bem claros os interesses geostratégicos antagónicos.

  • Conferência de Potsdam
Esta conferência foi realizada em Julho de 1945, imediatamente após à capitulação alemã. O seu grande propósito era conseguir novos avanços, no caminho de uma paz duradoura. Porém, as divergências de interesses estratégicos inviabilizaram o consenso acerca de mais soluções para os povos vencidos. Logo, apenas se pôde confirmar as deliberações tomadas em Ialta e poucas mais quanto à Alemanha.
A Alemanha teria de sofrer um processo de desnazificação, ou seja, o Partido Nazi teria de ser extinto efectivamente e os criminosos de guerra teriam de ser julgados. Para o efeito, foi criado o Tribunal de Nuremberga.
Também se procederia à desmilitarização e, para tal, à destruição das indústrias bélicas que haviam suportado o nazismo.
Finalmente, ficou definido que, quanto à Alemanha, Berlim teria um estatuto especial: graças à força de divisão do território, ficou encravada na área de influência soviética. Logo, foi também dividida em quatro áreas de ocupação.
Foi, em Potsdam, confirmado o valor das indemnizações a ser pago aos Aliados.
Finalmente, confirmaram-se as novas fronteiras e ainda se redefiniu o mapa político europeu, sobretudo da Europa Central e de Leste. Constatou-se que os antigos Estados-Satélite (Checoslováquia, por exemplo) tinham sido prejudicados em detrimento da URSS.
  • Definição de áreas de influência
O novo traçado da Europa, enquanto consequência de Ialta e de Potsdam, não foi capaz de esconder a divisão do continente em duas zonas.
A ocidente do meridiano 12, era a Europa atlântica, destruída e reconstruída graças às ajudas económicas providenciadas pelo governo norte-americano, em cuja esfera de influência acabaria por cair (a influência capitalista).
Por outro lado, a leste desse meridiano, era também a Europa devastada, liberta da ocupação nazi, graças à acção do Exército Vermelho. Nela, ascendem ao poder governos comunistas pró-soviéticos. É formada pela Hungria, Roménia, Polónia, Bulgária, Checoslováquia e Republica Democrática Alemã (RDA). A Albânia e a Jugoslávia tambem aderiram ao regime socialista, embora se tenham afastado da esfera soviética.
Esta divisão reforçou a desconfiança quanto às posições de Estaline. Consequentemente, endureceu as posições dos dois blocos geopolíticos.


Líderes governamentais reunidos em Ialta









Divisão da Alemanha                                                                                      










Líderes reunidos em Potsdam                                                               


 





Europa, após 1945 e até à queda do muro de Berlim

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Os antecedentes da II Guerra Mundial

Antes de 1939, a situação política mostrava-se já bastante caótica, sobretudo dentro do continente europeu, mas também no asiático e no africano.
Uma vaga de regimes ditatoriais invadira o globo: Alemanha e Áustria(1933), Itália (1922), Bulgária, Letónia e Estónia (1924),Portugal (1926), Grécia (1936), Roménia (1938), Espanha (1939), U.R.S.S. (1917). Esta situação explosiva de autocracias abarcava também o continente sul-americano, com a implantação no Brasil, na Argentina e no Chile, em consequência de golpes de Estado - que estavam apoiados nas forças armadas e no proletariado urbano -, e no continente asiático, mais especificamente no Japão, no ano de 1926.
Relativamente à implantação da ditadura em Espanha, esta deveu-se à vitória dos Franquistas na Guerra Civil. Os franquistas tinham tido o apoio da Alemanha e da Itália, em que se pode constatar, pelo bombardeamento de Guernica, que este conflito interno foi uma antevisão da segunda guerra, dado que Hitler testou o armamento em Espanha, sendo mais significativo a Legião Condor.
Todavia, não foi só a incessante implantação de totalitarismos que levou ao segundo conflito bélico à escala mundial. A realidade é que podemos igualmente apontar o Tratado de Versalhes, que tinha sido realizado em 1919. O Diktat, assim apontado pela propaganda alemã, era referido como sendo o motivo para todos os males do país e da humilhação da Alemanha Nazi, sobretudo no período do Führer.
Registaram-se várias infracções às sanções que tinham sido determinadas para a Alemanha - a remilitarização, a instituição de várias indústrias de armamento, sendo a mais conhecida a IG Farben, foram as infracções mais significativas.
Quanto à Itália, o ódio ao Tratado tinha diferentes origens. Tendo lutado em cooperação com a frente dos Aliados, não vira as suas expectativas satisfeitas com as Conferências de Paz, no primeiro pós-guerra. Os restantes aliados não lhe concederam mais nenhum território.
A própria instituição da Sociedade das Nações foi a causa efectiva do segundo conflito à escala mundial. Uma instituição que, de acordo com os planos iniciais do presidente Wilson, se destinava à promoção da paz e à satisfação das necessidades primordiais das populações, manteve os seus olhos fechados. A invasão da Manchúria pelo Japão, em 1931, e seis anos depois da China; a invasão da Etiópia, em 1935; a invasão da Checoslováquia, em 1938 - nenhuma delas foi levada a "sério" pela Liga das Nações. De facto, as contra-invasões da Checoslováquia, da Manchúria, da China, da Etiópia não seriam viáveis.
Já foram aqui abordadas as questões políticas e geoestratégicas. De seguida, as causas económicas.
Como já foi explicado neste blog, numa mensagem anterior, o Crash apenas foi a gota que transbordou. Foi a globalização da crise ou a Grande Depressão que, genericamente, levou Hitler a implantar as indústrias de armamento, dado que necessitava de resolver a questão dos seis milhões de desempregados.
Dia 1 de setembro de 1939, a  Alemanha Nazi invade a Polónia, oficializando o início da II Guerra.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Salazar

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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Estalinismo

Aquando da morte de Lenine, em 1924, o problema delicado da sua sucessão levou às disputas, dentro do Partido Comunista.
Estaline, o secretário-geral do partido, desde 1922, venceu as eleições, levando a melhor sob a facção mais à esquerda, liderada por Trotsky, e também sobre a facção direita, agrupada em torno de Zinoviev, Kamanev e Boukharine.
A tese de Joseph Staline defendia a consolidação da Revolução Bolchevique primeiro dentro da U.R.S.S. e, uma vez correctamente consolidada, avançar-se-ia para a expansão dos ideais comunistas a uma escala mais global. Era a tese da revolução num só país. Por outro lado, Trotsky admitia uma revolução constante e universal.
Estando Estaline à frente do poder, inicia-se de imediato um processo de controlo absoluto da totalidade das estruturas do poder e da direcção do partido. Foi este processo que o tornou no chefe incontestável  da Rússia Soviética, em 1928.
A sua acção política é realizada em torno de dois propósitos fulcrais, até 1953: a construção irreversível da sociedade socialista e a transformação da União das Repúblicas Socialistas e Sovietes numa gigantesca potência mundial - o que ocorreu, com a vitória dos Aliados, na Segunda Guerra Mundial. Para tal, adpotou como estratégias a colectivização e a planificação da economia e, por outro lado, a instauração de um Estado totalitário.
Quanto à colectivização da economia, reforça o Centralismo Democrático, paralelamente ao reforço do Centralismo Político, iniciado por Lenine, durante o Comunismo de Guerra.
A partir de 1928, terminou a NEP, que admitia a necessidade do sistema capitalista afim de reconverter o rumo da crise, e com o respectivo processo liberalizador. Arranca efectivamente para a nacionalização de todos os sectores económicos. Assim, empreendeu a grande viragem para o socialismo.
Cinco anos posteriormente, praticamente não restava propriedade privada na URSS: o Estado Russo Soviético tinha nacionalizado o subsolo, as instalações fabris, as redes de distribuição do comércio, de capitais e de outros rendimentos.
Antigos proprietários tornavam-se meros assalariados. Este processo sofreu uma grande oposição pelos Kulaks e pelos Nepmen, originando uma repressão massificada.
Dessa repressão resultaram milhões de mortos e deportados para os campos de trabalhos forçados. Era uma manifestação quer da força quer da autoridade do centralismo democrático estalinista.
Já que a propriedade privada fora elimitada com a nacionalização, o Estado Soviético opta pela implantação de uma rigora planificação dos sectores económicos, radicalmente antagónica aos princípios da livre iniciativa e da livre concorrência, regentes da economia capitalista do mundo ocidental.
A economia soviética era integralmente dirigida e subordinada aos planos fixados por Estaline, ou seja, pelo Estado.,
Quanto à planificação, a propriedade rural foi organizada segundo dois tipois de propriedades, apoiadas por grandes parques de máquinas. Logo se constata que a planificação da agricultura tinha em vista a mecanização. Assim, tem-se os Kolkhozes e os Sovkhozes. Os Kolkhozes eram propriedades de dimensão considerável, trabalhadas pelos camponeses, geralmente da mesma região. Os Sovkhozes eram grandes propriedades dirigidas directamente pelo Estado. Habitualmente reduzido, os trabalhados tinham um salário fixo.
No que toca ao sector comerical, este foi organizado em cooperativas de consumo local em armazéns de dimensão estatal, como a propriedade rural.
A indústria foi organizada sob os Planos Quinquenais, os quais admitiam um desenvolvimento industrial em sucessivos períodos, cuja longevidade era de cinco anos. O primeiro plano, entre 1928 e 1933, deu total prioridade à indústria pesada. Estaline queria criar sólidos fundamentos para programas industriais futuros, que fossem garantidores da independência económica do país - observa-se o desejo para a concretização do ideal autárcico, também pois era o único país com o sistema socialista. Este primeiro plano serviu de fomento à construção de redes de comunicação, de exploração de matérias-primas e de produção de géneros alimentares. Seguidamente, o segundo plano quinquenal, realizado entre 1933 e 1938, visava o desenvolvimento da indústria bélica e alimentar. A preocupação de Estaline relativamente à autarcia também se manifestou com o preenchimento das carências da população. Por isso, aumentou a qualidade de vida das pessoas. O último plano quinquenal viria a realizar-se entre 1938 e 1943, embora tenha sido interrompido pelo início da II Guerra. Pretendia o desenvolvimento do sector energético e das indústrias químcas.
Os planos quinquenais foram recomeçados após 1945, com o final do conflito. Os seus objectivos foram direccionados para a recuperação económica e para a investigação científica.
A autoridade central teve como duas manifestações a colectivização e o sucesso dos planos quinquenais.
Dada a debilidade económica da Rússia Soviética, a investigação estalinista somente foi concretizada graças a uma disciplina forte, pois a maioria da produtividade provinha dos campos de trabalhos forçados. Deveu-se igualmente Às deportações massificadas dos trabalhadores. Também se apelou ao interesse pessoal, com a atribuição de prémios, que podiam chegar até à glorificação pública. Refere-se também o indubitável contributo da acção propagandística, responsável pela instituição do culto a Estaline e ao Estado Soviético.
Apenas num país, com as características que a URSS tinha, um poder central com autoridade ilimitada seria capaz de manter a unidade pretendida. Estaline instituiu esse tipo de poder.
Quer a colectivização quer a planificação da economia são duas das manifestações do líder da URSS. Logo, registou-se uma evolução do centralismo democrático para uma ditadura. Todavia, não era a ditadura do proletariado, mas sim a ditadura do Partido Comunista. O dirirgente máximo e Presidente da República era Estaline.
Desde 1924, o líder empreendeu uma maquiavélica perseguição a todos os possíveis opositores do regime. Eliminou potenciais concorrentes do poder, tal como ocorrera com Trotsky. Em 1939, praticamente todos os velhos bolcheviques estavam afastados do Partido, pois tinham sido condenados à morte ou aos campos de concentração. Ainda podiam ter sido expatriados.
Tal como já mencionei, a liberdade económica foi extinta com a planificação e com a colectivização da agricultura, do comércio e da indústria, ou seja, de todos os sectores económicos da Rússia Soviética.
A Rússia tornou-se oficialmente num Estado autocrático com a promulgação da Constituição de 1936. Na prática, em nada divergia dos totalitarismos de direita que se afirmavam no resto do Continente Europeu, à excepção do repúdio ao socialismo, que estes últimos defendiam.
Afirmou-se uma elite de quadros do partido - os seguidores incondicionais de Joseph Stalin. Tratava-se da nomenklatura, a qual sustentava a força política disciplinadsamente, numa extrema manifestação da burocratização dos exagerados poderes detidos pelo Estado.
Deu-se a arregimentação das massas, em organizações próprias para o efeito, feitas pelo Partido, desde a fase infantil. Era uma das tantas formas de controlo da ideologia política.
Praticou-se o culto do Chefe e do Estado, ao ter em atenção as manifestações culturais, que eram condicionadas pela persistente e exaltada divulgação dos grandes feitos e da própria figura de Estaline.
Fez-se o culto da violência e negaram-se os direitos humanos, pois a feroz polícia política -a NKVD - perseguia, prendia, julgava e condenava às mais arbitrárias condições. Sobrepunha-se às mais básicas manifestações de independência do poder judicial. A população da Rússia Soviética desconhecia o termo "liberdade ideológica". O governo de Estaline ia até à privação da liberdade de circulação dentro da União. As pessoas eram forçadas a circular com o passaporte.
É fácil inferir que nada escapava ao controlo do Chefe da URSS.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

De saída...

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Obrigada, beijinhos, e boa sorte Joana ;)

Raquel.