Salazar
View more presentations from Joana Oliveira.
Mesmo com EUA na miséria, Hoover era crente da não-intervenção do Estado na economia. A população estava bastante desagradada com a política de crise. Acabaram por denominar os bairros de lata "Hoovervilles" ou "Cidades de Hoover" - na imagem podemos observar um trocadilho: "Hard times are still HOOVERing over us", querendo dizer que Hoover ainda estava no governo e que, resumidamente, era essa a causa da desgraça. Logo, (Hoover que em inglês quer dizer pairar) os maus tempos ainda pairavam sobre a população.
Deflagra a crise de 1920-21. a mentalidade dos EUA, dos grandes senhores da economia, começa a sofrer alterações. As empresas reduzem drasticamente os preços, afim de aumentar o escoamento de stocks. Exploram-se novas fontes energéticas, tais como o petróleo e a electricidade, e novos ramos industriais, nos quais sobressai efectivamente o sector automóvel. Nesta conjectura de crise, refere-se igualmente o relançamento da agricultura. Para além disso, as empresas dos sectores industriais adoptaram um novo método de racionalização do trabalho: o taylorismo, no qual cada operário realizava exlusivamente uma tarefa (observa-se na imagem ao lado o princípio fulcral deste método, o de cada operário realizar apenas uma tarefa, como já se referira anteriormente). Recorreu-se ainda, neste conjunto de medidas anti-crise, à concentração capitalista empresarial, com os objectivos de rentabilizar esforços e de relançar a economia nas sociedades industrializadas. Evidenciam-se algumas modificações na estrutura económica norte-americana, visto que os grandes se consciencializaram da necessidade de completa devoção ao mercado interno, tendo em conta que o externo já estava saturado. Assim, as empresas usam ineditamente a publicidade, para promover os seus produtos junto do povo-norte americano. Pela primeira vez na História, criou-se o pagamento a crédito, que se viria a mostrar, apenas alguns anos mais tarde, mais periogoso do que alguém alguma vez imaginara. Finalmente, as empresas constaram que, graças a esta crise de superprodução e com o aumento quase ininterrupto da taxa de desemprego (note-se que os operários que não tinham sido dispensados viam o seu salário encolhido) o poder de compra do povo norte-americano só não desaparecera graças a um quase-milagre. Ora, se não existe poder de compra, ou se ele está consideravelmente diminuído, mais produtos não sairão dos armazéns, mais terão de ser diminuídos os preços, menos lucro e rentabilidade haverá e mais desemprego em massa existirá. Por esta lógica, ficou definido que os salários sofreriam um aumento.
Este consumo massificado culminou na aparente prosperidade económica dos anos 20 e à mentalidade dos "loucos" ou "ruidosos anos" que vigorara nesta década. Não poderia ter sido mais enganadora (na imagem que o leitor pode observar ao lado, constata-se uma referência a uma das danças mais características dos loucos anos 20 - o foxtrot).
Desta maneira, começaram a evidenciar-se indicadores que prenunciavam a crise. Denunciavam a acumulação de excedentes nos armazéns, em sectores da economia fulcrais (exemplo: o sector automóvel), constatando-se, consequentemente, a realidade da superprodução.
Para além de consequências na economia, o dia de 24 de Outubro teve também repercusões no domínio social. Milhares na miséria, filas intermináveis para a sopa dos pobres, bairros de lata - esta era a imagem dos EUA logo após o crash. As pessoas vagueavam de terra em terra à procura de emprego, com um crescimento da taxa de desemprego a níveis galopantes. Com famílias inteiras na miséria, nas grandes cidades, observava-se o cenário constrangedor de filas gigantescas para uma sopa. Finalmente, refere-se que como famílias não tinham um único ente empregado e como na altura era bastante frequente arrendar uma casa em vez de a comprar, cresceran os bairros de latas nas zonas periféricas das mettrópoles, à medida que aumentavam os despejos por incumprimento no pagamento das rendas. Resumidamente, a crise de 29 originara 14 milhões de desempregados, a proletarização da sociedade, aumento da criminalidade, da mendicidade, dos suicídios e dos antagonismos sociais.
À medida que se aacentuavam os efeitos sociais da crise, agravavam-se os efeitos económicos. O crash do dia 24 fez com que se vivesse o círculo mais vicioso e mais grave da História - o leitor pode constatar pelo gráfico ao lado, que se refere ao crescimento do dólar, que esse esteve em constantes subidas e descidas. O próprio gráfico afirma que o mercado norte-americano não iria recuperar até à década de 50.
A situação económico-financeira, entre 1910 e 1926, era caracterizada por questões problemáticas de três ordens: agrícola, industrial e crise financeira. A agricultura, base da economia portuguesa, estava consideravelmente estagnada, devendo-se à divisão da propriedade na região Norte (notava-se um predomínio de uma estrutura minifundiária). Tal divisão dificultava significativamente o uso de maquinaria, observando-se que a agricultura portuguesa era caracterizada por um enorme atraso tecnológico. Quanto às regiões Centro e Sul, nem mesmo a grande propriedade melhorava a situação, considerando que os solos eram demasiadamente inférteis. Finalmente, refere-se que tanto o forte absentismo como o grande fracasso das reformas agrárias da Primeira República foram factores para que a situação da agricultura portuguesa no início do séc. XX piorasse. O sector da indústria estava, igualmente, a passar por uma grave situação, pois os sectores da conserva, têxteis, moagem, vidro, metalurgia, tabaco e fósforo eram incipientes, existindo uma ausência de indústria pesada (na figura ao lado, observa-se a fábrica de edredons dos Armazéns do Chiado). Relativamente às vias-de-comunicação, evidenciava-se um forte atraso, visto que não tinham sido feitas quaisquer obras desde a sua construção, no Fontismo. Finaliza-se a situação económico-financeira com a crise financeira, que era devida a um extremo défice orçamental e a um crescimento da dívida pública, assim como a uma desvalorização da moeda. A desvalorização da moeda foi devida à inflação galopante e à fuga de capitais – explicável pelo motivo de Portugal estar longe de atingir a auto-suficiência, tendo, por conseguinte, de importar géneros alimentares e produtos industriais. Para além disso, a entrada na 1ª Grande Guerra - note-se que fez com que o escudo português desvalorizasse cada vez mais. Visto que éramos um país pobre, longe da auto-suficiência e que o mundo entra praticamente à escala global no conflito, Portugal sentiria brutais dificuldades em importar - (ver rodapé) agravou a crise, resultando em elevados racionamentos, numa especulação constante, no aumento da dívida pública e no aumento do custo de vida, visto que os salários não acompanhavam a subida dos preços e até baixavam com as grandes desvalorizações (observar o gráfico abaixo - "Evolução do nível de vida em Portugal 1796-1990" -, em que é relevante o período 1910-1925).
A instabilidade política era uma situação complexa. Pouco depois de ter sido instaurada a república, surgem divergências no seio do Partido Republicano, incentivadas por ambições pessoais de poder. Houve, consequentemente, grandes cisões internas. Por isso, uma vez eleitas as diminutas fracções deste partido, traziam para o Congresso as suas próprias rivalidades, surgindo, assim, lutas políticas. Por outro lado, refere-se que a Constituição de 1911 foi preniciosa quanto aos poderes legislativo e executivo, por atribuir a grande maioria do poder legislativo sobre o executivo. Logo, a grande e constante e interferência do Congresso no Governo resultou na clara ineficácia da acção governativa, dado que os desentendimentos entre as reduzidas fracções do Partido Republicano impossibilitavam a constituição de maiorias parlamentares. Confirma-se a instabilidade política descrita por, durante os dezasseis anos de regência da I República, terem havido oito eleições para a Presidência da República, nove para Chefe de Estado, tendo sido nomeados quarenta e cinco governos.
A regressão do demoliberalismo deveu-se a alguns factores: ao Komintern (vemos ao lado uma imagem publicitária da III Internacional Comunista) e o impacto do socialismo revolucionário e, por outro lado, à emergência dos autoritarismos.
Fundaram-se, desta maneira, partidos comunistas (entre 1918 e 1923). Na Alemanha, em 1918, organizam-se conselhos de operários, soldados e marinheiros e a facção mais à esquerda do partido social-democrata reúne armas contra a República Parlamentar de Weimar. Os revolucionários, que pertenceram ao Partido Comunista Alemão, auto-apelidavam-se de espartaquistas e proclamavam na capital alemã uma “república socialista”. Todavia, este partido comunista acabou por ser dominado pelas tropas fiéis ao Governo, aquando da execução dos líderes comunistas (observa-se na figura, ao lado, a imagem imortalizada numa escultura de Rosa Luxemburg, uma das líderes do Partido Comunista Alemão).
Começam a surgir regimes autoritários (de extrema direita): em primeiro, na Itália, onde Mussolini com a Marcha sobre Roma obriga o Rei Vítor Manuel II a nomeá-lo chefe do executivo (como se pode observar na figura ao lado - Mussolini a apelar aos seus militantes) Assim sendo, o fascismo fica implantado neste país desde 1926, servindo de modelo e de inspiração ao resto da Europa por mais de vinte anos.